quinta-feira, 1 de março de 2012

"o relvado é igual a algo que é importante"

À poucos dias olhei para ti discretamente,                                                                          
Estavas de costas, com uma camisa ás bolinhas,
De repente o teu cabelo ficou mais curto,
Tal como os teus pés, diminuíste por completo,
Aconteceu-me o mesmo...
Aparece-mos num jardim,
Nas costas tínhamos mochilas
Em forma de golfinhos azuis
Corríamos sem parar num relvado,
Um relvado que não tinha fim,
Olhamos para trás e o relvado não tinha inicio
Era-mos pequenas riamo-nos sem parar,
Corria-mos sem parar,
Dê-mos as mãos...
As gargalhadas ecoavam nos infinitos,
E corria-mos sem nunca nos cansar-mos.
Queria-mos chegar ao fim, mas não tínhamos pressa.
E corria-mos...
Não chega-mos ao fim,
Não era possível.
Voltamos à sala onde estavas de costas
Finalmente viras-te para mim
E disseste que faltavam cinco minutos
Para a aula acabar.


 
" O amor dá-me fome e eu quero ser anoréctica "

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ser

 Querido espelho desculpa-me mas nunca mais disseste que eu era bonita, e talvez não seja tua culpa, mas a quem entrego toda a minha falsidade que a algum tempo começou a transparecer para fora? se não te entregasse a ti seria ainda mais falsa do que o que sou...
 Por isso cobri-te com um lençol branco de linho, peguei em ti e com esforço coloquei-te no carrinho de mão do pai.
 Escalei uma montanha carregando-te sempre, passamos pela casa  da capuchinho vermelho mas não parei,  caminha-mos pelos verdes campos, vimos ovelhas  um pastor e flautista tocando melodias tristes, o caminho começou a tornar-se árduo mas continuei; avistámos neve, congelou-me os pés, congelou a tua face, travou as rodinhas do carro de mão. Retirei-te do carrinho e continuei contigo ao colo arrastei os meus pés com dificuldade. As mãos começaram-me a doer e a sangrar pois estavas muito pesado, eu continuei, mais à frente a neve acabava e começaram a aparecer folhas, folhas verdes, castanhas, amarelas, vermelhas, as árvores secas rodeavam-nos e olhavam-nos, de repente o braço de uma pequena árvore arrancou o lençol de linho que te cobria caís-te na lama peguei em ti,  olhei para as árvores que se tornaram de repente assustadoras e corri contigo no meu colo, o caminho começou a ser mais íngreme e difícil de subir; continuei, estavas sujo não eras capaz de reflectir fosse o que fosse, já não eras capaz de fazer alguém feliz.
 O topo da montanha avistou-se o céu estava negro tal como as nuvens, a chuva apareceu e foi cada vez ficando  mais forte a lama que te cobria começou a desvanecer-se já conseguia ver o reflexo dos meus cabelos escuros molhados como a minha roupa, como os meus braços ao longo do meu corpo, conseguia ver a minha cara finalmente, as lágrimas escorriam-me pela face, eu via os meus lábios rosados e a tiritarem de frio, via o meu ser frágil e talvez um pouco ingnorante mas consegui ver-me.
 Por isso amigo desculpa-me por te ter trazido de novo para minha casa, para o meu quarto. Poderia ter-te deixado naquela montanha onde poderias reflectir-me de lá todo o mundo mas os meus olhos guardam memórias e tu reflectes os meus olhos.