Haviam duas semanas que eu e ela não falávamos, tínhamos deixado de juntar as nossas impressões de amizade.
Quando íamos ou vínhamos da escola ela sentava-se num banco mesmo perto de mim, mas estavamos chateadas, permanecia-mos caladas e sempre com o olhar para lá da janela, o meu como sempre estaria num mundo distante deste, onde eu permanecia há sete anos, sim porque os nove anos que tinha vivido até à primaria, o mundo onde todos viviam realmente era feito de doces, onde não havia preocupações em tentar fazer os outros felizes ou em ter de estudar mil horas para ter excelentes notas, mas quando sai da primaria o mundo transformou-se, ficou crescido, as coisas começaram a fazer sentido e assim já não valia a pena sonhar.
Numa segunda feira, em que por acaso fazia quinze dias de amuo entre nós, eu já estava sentada num dos cinquenta bancos do autocarro, quando ela apareceu ao fundo do corredor e num segundo breve mas eterno na nossa mente, os nossos olhos cruzaram-se. O estranho é que não eram olhares de fúria ou zangados, eram quatro olhos que apenas queriam dizer: " Foste uma parva... mas preciso de ti ".
eu não queria admitir, mas talvez estaria com saudades dela, mas se afinal tinha tantas saudades de coisas que não podem voltar para nós, saudades daqueles que já foram, da escola primária ou saudades de fazermos um passeio em família,o tempo passaria e as minhas saudades por ela acabariam por desaparecer.
Enfim as coisas passados muitos meses melhoraram, por isso ainda penso como aquela menina que corria por um caminho desconhecido mas sem nunca a olhar sem nunca olhar para trás e sabendo que iria ficar tudo bem no fim, ainda penso que existem amizades para o sempre da nossa vida.
Sem comentários:
Enviar um comentário